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Ex-ministro Peter Mandelson renuncia ao Partido Trabalhista após divulgação de novos ficheiros de Epstein

Ex-ministro Peter Mandelson renuncia ao Partido Trabalhista após divulgação de novos ficheiros de Epstein

Entre os ficheiros divulgados, surgem e-mails enviados por Peter Mandelson a Jeffrey Epstein, numa altura em que o magnata norte-americano já se encontrava preso por prostituição de menores, que revelam uma eventual tentativa de alteração da legislação britânica a pedido de Epstein. Na Noruega, a princesa Mette-Marit lamenta ligações com o abusador sexual.

RTP /
Foto: Jaimi Joy - Reuters

Peter Mandelson renunciou, no domingo, ao seu cargo enquanto membro do Partido Trabalhista do Reino Unido, na sequência da divulgação de novos ficheiros do caso Epstein que ligam, mais uma vez, o ex-ministro ao abusador sexual norte-americano.

Na carta de demissão, citada pela emissora britânica BBC, o membro da Câmara dos Lordes afirma ter tomado a decisão para não “causar mais constrangimentos” ao partido que integrava e que se encontra atualmente no Governo, devido aos seus laços com Jeffrey Epstein.

O político de 72 anos já havia sido afastado, no ano passado, do seu cargo como embaixador da Grã-Bretanha nos EUA pelo atual primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, após revelações anteriores da amizade que manteve com o gestor de fortunas nova-iorquino
, incluindo uma carta onde se referia a Epstein como o seu “melhor amigo”.

Os mais recentes documentos do caso Epstein, divulgados na sexta-feira pelo Departamento de Justiça dos EUA, mostram trocas de e-mails entre o magnata e o ex-deputado do parlamento britânico, incluindo um texto enviado em junho de 2009, em que Peter Mandelson pedia a Epstein para ficar hospedado numa das suas propriedades.

Uma outra mensagem, que data de dezembro do mesmo ano, revela que o ex-ministro deverá ter tentado alterar uma proposta do Governo britânico, alusiva a um imposto sobre bónus a banqueiros, a pedido de Epstein. À época, Mandelson assumia o cargo de secretário de Estado do ministro das Finanças Gordon Brown.

Ambos os e-mails foram enviados após a prisão de Jeffrey Epstein, detido em 2008 por crime de prostituição de menores.

Em declarações à BBC, ex-deputado do Partido Trabalhista argumentou que a sua tentativa de alterar a legislação “refletia as opiniões do setor da [banca britânica e internacional] como um todo e não a de um único indivíduo”.

A proposta, que Mandelson pretendia alterar, obrigava a que bónus acima de 25 mil libras (mais de 28 mil euros) fossem alvo de uma tributação adicional de 50%.

Os documentos divulgados na semana passada, sugerem ainda que o magnata norte-americano transferiu, entre 2003 e 2004, cerca de 75 mil dólares (cerca de 63 mil euros) ao ex-ministro britânico, repartidos em três transações de 25 mil dólares (21 mil euros).

O antigo secretário de Estado afirma não ter qualquer “recordação” dos pagamentos mencionados, que acredita serem falsos e garante que vai investigar as alegações de que é alvo.

Esta segunda-feira, após a renúncia de Mandelson ao Partido Trabalhista, o Governo britânico tem estado sob pressão, com os líderes da oposição a exigirem uma “investigação completa” ao papel do antigo deputado em todos os executivos liderados pelo Partido Trabalhista.

Na carta ao secretário-geral do Partido Trabalhista a que a BBC teve acesso, Mandelson reiterou sentir-se “arrependido e triste” por ser “novamente associado ao compreensível alvoroço em torno de Jeffrey Epstein”.

No início do dia de domingo, Mandelson atestou não saber se os documentos recém-divulgados eram autênticos. Ainda assim, na sua carta de demissão, o ex-ministro quis “aproveitar a oportunidade para reiterar” as suas “desculpas às mulheres e raparigas cujas vozes deveriam ter sido ouvidas há muito tempo”, segundo cita a BBC.

Peter Mandelson lamenta “ter conhecido Epstein” e mantido relação com o abusador sexual, mesmo depois deste ter sido preso.

“Dediquei a minha vida aos valores e ao sucesso do Partido Trabalhista e, ao tomar a minha decisão, acredito estar a agir no melhor interesse do partido”, acrescentou.
Princesa da Noruega também visada

Paralelamente, a princesa herdeira da Noruega Mette-Marit, também visada nos e-mails divulgados na sexta-feira, lamentou as relações que manteve com Jeffrey Epstein ao longo dos anos.

Os arquivos do Departamento de Justiça dos EUA incluíam quase mil menções à princesa, sugerindo que estes mantiveram contacto entre 2011 e 2014
, segundo noticia o jornal The Guardian.

Numa declaração emitida no sábado pelo palácio real e citada pelo jornal britânico, Mette-Marit admitiu ter demonstrado “falta de discernimento” e lamentou “profundamente ter tido qualquer contacto com Epstein”. “É simplesmente embaraçoso”, assumiu.

Os e-mails entre os dois surgem numa altura atribulada para a família real norueguesa, sendo que o julgamento do filho da princesa herdeira, Marius Borg Høiby, arranca esta terça-feira. Marius enfrenta 32 acusações, quatro delas por violação, além de crimes por violência doméstica ou captação de imagens de mulheres sem o seu consentimento.
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